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Marshall para rodagem e videoclipe: que amplificador serve que cena

11/09/2026 · Marshall

Plexi, JCM800, Silver Jubilee, 30.º aniversário — como se lê a década na cara de um amplificador, o que pesa uma coluna, e porque é que um Marshall de 100 W não pode tocar num plano com diálogo.

Marshall para rodagem e videoclipe: que amplificador serve que cena

Há um objeto que diz "concerto de rock" a qualquer pessoa, mesmo a quem nunca foi a um: uma parede de colunas pretas com a palavra Marshall em letra corrida. É a peça de décor mais reconhecível da música popular, e é por isso que aparece em tantos planos — e por isso mesmo que se nota quando está errada.

Este artigo é para quem monta a cena: como se lê a década na cara de um amplificador, o que pesa uma coluna, porque é que um Marshall de 100 watts não pode tocar num plano com diálogo, e o que temos em armazém para cada caso.

Ler a década na frente do amplificador

A Marshall foi fundada em 1962 e, ao contrário dos pianos, mudou de cara em quase todas as décadas. Quem sabe olhar para o painel e para o revestimento acerta no ano com poucos de margem.

ÉpocaModeloComo se reconhece
1962JTM45O primeiro. Painel dourado, caixa pequena. Blues britânico e os primeiros Who.
1965–19691959 Super Lead, o "Plexi"Painel de acrílico dourado, daí o nome. 100 W e sem volume geral: só soa bem alto. Hendrix, Townshend, Page.
anos 70JMPO mesmo circuito com painel metálico. A parede de colunas dos estádios.
1981–1990JCM800A cara dos anos 80: painel dourado, letras pretas, volume geral. Hard rock, metal e o som da MTV.
1987Silver JubileeUm ano só. Revestimento prateado, painel cromado. Comemorou os 25 anos da marca. Hoje é dos mais procurados.
1990JCM900A resposta ao metal e ao grunge dos anos 90: mais ganho, painel preto.
199230.º aniversário, série 6100Três canais, e no primeiro ano revestimento azul. Depois passou a preto.

Regra prática para direção de arte: preto com letras brancas serve de 1970 para a frente sem levantar dúvidas; prateado é 1987; azul é 1992; dourado à vista é anos 60. Uma cena de 1975 com um JCM800 tem seis anos de adiantamento — quem sabe repara, e quem sabe está no público.

As três peças que temos, e o que dizem à câmara

MD-A-0008 Marshall AFD100 Slash Signature

Uma cabeça de 100 W lançada em 2010, numa série limitada a 2 300 unidades no mundo, desenhada com o Slash para recriar o som de Appetite for Destruction. Tem dois modos: um para o amplificador alugado e modificado com que o disco de 1987 foi gravado, outro para o JCM800 modificado que ele usou a partir dos Use Your Illusion.

Para a câmara, é uma cabeça Marshall preta clássica: revestimento preto, friso branco, painel dourado. Lê como qualquer década a partir de 1981. Há um pormenor: a assinatura do Slash está no painel, ao lado dos botões. Num plano aberto não se vê; num plano apertado vê-se, e tapa-se — mas combina-se antes.

MD-A-0010 Marshall 2525C Mini Silver Jubilee

O Silver Jubilee de 1987 em formato pequeno: um combo de 20 W com uma coluna de 12 polegadas, revestimento prateado e painel cromado como o original. Foi feito a partir dos esquemas de 1987, e é a maneira de ter a cara do Jubilee numa cena sem carregar uma parede de colunas.

Tem um comutador para 5 W, e isso interessa mais do que parece — voltamos lá em baixo.

MD-A-0009 Coluna Marshall Anniversary Series 30 Anos

Uma coluna 4×12 inclinada da série do 30.º aniversário, de 1992, no azul do primeiro ano — a cor que se fez pouco tempo e que hoje se procura. Grelha preta, chapa Anniversary Series no canto.

Duas verdades sobre esta coluna. A primeira: pesa 38 kg e vai com duas pessoas e um carro à altura. A segunda: é azul, e a nossa cabeça é preta. Numa rodagem que peça uma stack a condizer, preto sobre preto, esta não serve, e dizemo-lo antes de a mandar. Num videoclipe, ou numa cena em que o amplificador é personagem, o azul é exatamente o motivo para a escolher.

O problema que ninguém prevê: o volume

Um Marshall de válvulas de 100 W só soa como um Marshall quando está alto. Não é teimosia de guitarrista: o som que toda a gente reconhece vem das válvulas de saída a trabalhar no limite, e isso acontece a um volume que não deixa gravar mais nada na sala.

Numa cena com diálogo, ou com som direto, isto decide tudo:

  • O combo pequeno em 5 W. O Mini Jubilee comuta para 5 W e continua a soar a Jubilee, a um volume que um microfone de diálogo aguenta à distância.
  • Atenuador ou caixa de carga. A cabeça trabalha no limite e uma caixa entre ela e a coluna baixa o som na sala. Serve para a cabeça de 100 W.
  • Coluna noutra divisão. A cabeça fica em cena, ligada; a coluna fica numa sala ao lado, com microfone. O ator toca de verdade, o som grava-se limpo, e no plano só se vê a cabeça.
  • Mudo com playback. A cabeça está ligada — o piloto vermelho aceso lê-se na câmara — e não sai som nenhum. O ator acompanha a faixa.

O que não funciona é ligar a cabeça de 100 W a um quarto do volume e esperar que soe bem. Não soa, e o som direto fica com um amplificador a meio gás por cima do diálogo.

Peso, escadas e o carro

Uma cabeça de 100 W anda pelos 23 kg. Uma coluna 4×12, entre 35 e 40. Uma stack completa — cabeça e duas colunas — passa dos 100 kg, e cada coluna é uma caixa de 75 cm que não dobra numa escada de caracol.

É por isto que a nossa estimativa pesa o que vai na carrinha: um combo pequeno vai num carro; uma cabeça e uma coluna já pedem carrinha e duas pessoas. Dizer-nos o andar e o acesso antes poupa uma conversa no dia.

Na câmara

Três coisas que se descobrem no set e se resolviam antes:

  • A grelha faz moiré. O tecido da frente das colunas tem uma trama regular, e a certas distâncias a câmara desenha ondas por cima dele. Testa-se no ensaio, muda-se a distância ou a abertura, e resolve-se. Mas descobre-se sempre tarde de mais se ninguém avisar.
  • O logótipo. A palavra Marshall em letra corrida é o objeto todo. Se a produção não pode mostrar marcas, tapa-se ou tira-se — é aparafusado — e volta a pôr-se. Combina-se antes.
  • O revestimento preto não é espelho. Ao contrário de um piano preto polido, o tolex preto absorve luz e ilumina-se com facilidade. O prateado do Jubilee e o azul da coluna, não: reflectem, e pedem um plano de luz que conte com isso.

Que Marshall para que cena

  • Garagem ou sala de ensaio, anos 90 — cabeça preta em cima de uma coluna, com marcas de uso. A cabeça MD-A-0008 Marshall AFD100 Slash Signature serve; a coluna preta, procuramos.
  • Clube ou palco, 1987 a 1990 — o Silver Jubilee. O combo MD-A-0010 Marshall 2525C Mini Silver Jubilee num plano fechado, ou a stack prateada, sob consulta.
  • Estúdio, anos 70 — um Plexi ou um JMP. Não temos em armazém; temos a rede, e o prazo.
  • Videoclipe ou publicidade — a coluna azul MD-A-0009 Coluna Marshall Anniversary Series 30 Anos em plano aberto, com a cabeça em cima. É o amplificador que mais ninguém tem, e é para isso que serve.
  • Cena com diálogo por cima do amplificador — o Mini Jubilee em 5 W, ou a cabeça ligada em mudo.

E a guitarra à frente. Uma Les Paul à frente de um Marshall é a imagem do rock desde o fim dos anos 60, e a MD-G-0022 Tokai LS-120 de 1981 faz esse papel sem pôr uma Gibson de quinze mil euros em cena. Para uma Stratocaster, a MD-G-0014 Fender Stratocaster American Standard; para uma Telecaster, a MD-G-0015 Fender Telecaster Custom TL62 MIJ; para uma cena de 1981 sem clichés, a MD-G-0017 Aria Pro II MIJ.

O que nos dizer ao pedir um amplificador

  • Datas de entrega, de rodagem e de recolha.
  • Se toca ou se é só imagem. Muda o preço, e muda o que mandamos.
  • Se há diálogo ou som direto durante os planos. Decide entre 100 W, 5 W e mudo.
  • A década da cena, para o painel estar certo.
  • Se pode mostrar a marca.
  • Andar, escadas, elevador de serviço e onde fica o carro.

Com isto, dizemos no mesmo dia o que temos, o que custa e o valor de substituição para o seguro da produção.

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