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Pianos Yamaha para rodagem e estúdio: que modelo serve que cena

04/09/2026 · Pianos

Do b3 ao C7X: tamanhos, pesos, som, acabamentos, Silent e TransAcoustic — e porque é que dois verticais de 121 cm não são o mesmo piano nem valem o mesmo ao seguro.

Pianos Yamaha para rodagem e estúdio: que modelo serve que cena

Entre num estúdio de gravação em Lisboa, em Londres ou em Nova Iorque e há uma boa hipótese de o piano de cauda ser um Yamaha. Não é falta de imaginação: é o instrumento que aguenta viajar, que soa da mesma maneira em janeiro e em agosto, e cujo som se encaixa numa mistura sem obrigar ninguém a lutar com ele.

Para quem monta uma cena, escolher o piano são três decisões ao mesmo tempo: o que cabe na sala, o som que a cena precisa e o que a câmara vai ver. Raramente apontam todas para o mesmo instrumento. Este artigo separa as três.

Os nomes, depressa

A nomenclatura da Yamaha mudou duas vezes desde os anos 70, e isso confunde toda a gente que lê uma lista de aluguer.

Caudas:

  • Série G — as caudas dos anos 60 até ao início dos anos 80: G1, G2, G3, G5, G7. Ainda aparecem muito no mercado usado e em estúdios que nunca tiveram razão para as substituir.
  • Série C — substituiu a G nos anos 80 e ficou até 2012: C1, C2, C3, C5, C6, C7. O C7 é, provavelmente, o piano de cauda mais gravado das últimas décadas.
  • Série CX — a geração atual, lançada a 12 de outubro de 2012 para substituir a série C. Mesmos comprimentos, com quadro, cavalete e tampo harmónico redesenhados, e materiais herdados do CFX.
  • CF e CFX — os pianos de concerto feitos à mão em Hamamatsu. O CFX, de 275 cm, chegou em 2010 depois de quase duas décadas de desenvolvimento, e é o instrumento de sala grande e de concurso internacional.
  • Série S (S3X, S5X, S6X, S7X) — construção artesanal, entre a CX e a CF.
  • GB1K, GC1, GC2 — as caudas de entrada, mais curtas e mais baratas.

Verticais, onde quase nada mudou em cinquenta anos:

  • U1 (121 cm), U2 (127 cm) e U3 (131 cm) — os verticais que toda a gente conhece. Estão em escolas, conservatórios, casas e estúdios desde os anos 60, e são feitos no Japão.
  • YUS1 (121 cm), YUS3 e YUS5 (131 cm) — a linha premium atual, também japonesa, com componentes da série CX.
  • b1 (109 cm), b2 (113 cm) e b3 (121 cm) — a linha de entrada, fabricada na Indonésia.
  • UX-1 e UX-3 (e variantes como o UX-30) — a série com o travejamento em cruz nas costas, feita no Japão e descontinuada em 1997. Só existe em segunda mão.
  • P116 (116 cm) e P121 (121 cm) — a linha institucional, pensada para escolas e salas de ensaio. Foi feita no Reino Unido até 2008 e passou depois para a Indonésia.

Uma nota que poupa discussões: os números da série G correspondem aos mesmos comprimentos da série C que a substituiu. Um G3 e um C3 ocupam o mesmo chão. Meça sempre antes de assumir — um piano usado pode ter sido reconstruído e as fichas antigas circulam com erros.

Tamanhos: o que cabe onde

O comprimento de uma cauda decide duas coisas: o som (cordas mais longas, graves mais definidos) e se a peça entra pela porta.

ModeloTipoAltura ou comprimentoOnde costuma servir
b1 / b2Vertical109 / 113 cmQuarto, corredor, plano fechado
P116Vertical116 cmEscola, sala de ensaio
b3 / U1 / YUS1 / P121Vertical121 cmSala de estar, escola, bar
U2Vertical127 cmSala de estar, estúdio
U3 / UX-3 / YUS3 / YUS5Vertical131 cmSala grande, estúdio de ensaio
GB1KCauda151 cmSala pequena onde a silhueta importa mais que o som
C1XCauda161 cmApartamento, décor apertado
C2XCauda173 cmSala média
C3XCauda186 cmO tamanho mais comum em estúdio e em sala pequena
C5XCauda200 cmSala grande, palco pequeno
C6XCauda212 cmPalco, auditório médio
C7XCauda227 cmEstúdio de gravação, palco, auditório
CFXCauda de concerto275 cmSala de concerto, grande palco

Regra grosseira para quem está a escolher em cima do joelho: até 186 cm para uma sala de casa, 186 a 227 cm para estúdio, 227 cm ou mais para palco. Uma cauda quer o dobro do seu comprimento em espaço livre à volta, para o técnico trabalhar e para a câmara ter de onde escolher.

Dois pianos de 121 cm não são o mesmo piano

Repare na tabela: o b3, o U1, o YUS1 e o P121 têm todos 121 cm de altura. Do outro lado da sala, e num plano geral, são indistinguíveis. Debaixo de um microfone, não são o mesmo instrumento nem por sombras.

  • O b3 é feito na Indonésia e é a linha de entrada da marca.
  • O U1 e o YUS1 são feitos no Japão, com outra mecânica, outros materiais e um preço em novo várias vezes superior.
  • O P121 é a versão institucional, desenhada para aguentar uso pesado numa escola.

Isto interessa por duas razões práticas. Primeiro, o som: se o piano toca e o som grava, a diferença ouve-se. Segundo, o valor de substituição que vai para o seguro da produção: um vertical de 121 cm pode valer três ou quatro vezes mais do que outro vertical de 121 cm, e é o modelo — não a altura — que determina esse número.

Quando pedir um piano, peça pelo modelo. "Um vertical de 121" não chega. E aos 131 cm passa-se exatamente o mesmo, como se vê a seguir.

O UX: o U3 que os estúdios procuram

Entre os verticais usados há um nome que aparece sempre nas conversas de estúdio: a série UX, feita no Japão e descontinuada em 1997.

O sinal exterior é a cruz nas costas — um travejamento em X no quadro traseiro, que dá rigidez e ajuda a afinação a aguentar-se. Vale a pena ser honesto: técnicos que afinaram centenas destes pianos dizem que a cruz, por si, não muda o som.

O que muda o som no UX-3 é outra coisa. Com a mesma altura de um U3 — 131 cm — tem as cordas graves mais compridas. Isso ouve-se: mais definição em baixo, que é precisamente o que se pede a um vertical quando ele tem de aguentar uma gravação e não apenas encher uma sala. O UX-3 foi feito entre 1983 e 1988; o UX-1 é a versão mais baixa da mesma ideia.

Para uma rodagem, isto assenta bem por duas razões. São pianos dos anos 70, 80 e 90, portanto certos de época sem esforço nenhum. E como não se fabricam desde 1997, só aparecem em segunda mão — com a idade, o desgaste e o móvel de um piano que teve vida, em vez do brilho de fábrica que denuncia um décor de 1978 à primeira olhadela.

Som: porque é que os estúdios escolhem o C7

O carácter Yamaha é conhecido: ataque rápido, fundamental forte, agudo brilhante e claro. Onde um Steinway hamburguês tende a envolver e a misturar-se, o Yamaha separa-se. Num take de piano sozinho isso pode soar duro; numa mistura com bateria, baixo e guitarras, é exatamente o que faz o piano continuar audível sem o engenheiro andar a cortar frequências à volta dele.

É por isso que o C7 aparece em tantas gravações de pop, rock, jazz e televisão: microfonado de perto, dá um som pronto a usar. E é por isso que, para um concerto de música de câmara ou um drama de época com música ao vivo, vale a pena ouvir alternativas primeiro.

Duas coisas que costumam ser mal contadas:

  • Os Yamaha antigos não são todos brilhantes. Um C7 dos anos 80 com martelos gastos pode estar bastante mais escuro do que um CX de fábrica. O carácter de um piano usado é tanto do estado dos martelos como do modelo.
  • A entoação resolve muito. Um técnico consegue amaciar ou abrir um piano de forma significativa em duas horas de trabalho nos martelos. Se o som não é bem o que a cena precisa, diga-o antes da entrega, não no dia.

Na câmara: o que ninguém pensa até estar no set

O acabamento normal de um Yamaha é preto polido. Na sala parece bem; debaixo de projetores é um espelho. Reflete as luzes, o teto, o operador de câmara e por vezes a própria câmara. Quem já iluminou um piano preto polido sabe que metade do tempo se passa a esconder coisas do reflexo.

O que costuma resolver:

  • Acabamento acetinado ou em madeira em vez de preto polido — nogueira e mogno acetinados existem em muitos verticais e nalgumas caudas, e são muito mais fáceis de iluminar. São também mais credíveis num décor dos anos 70 do que um preto espelhado.
  • Tampo a meia haste, em vez de aberto de todo: muda a silhueta, tapa parte do reflexo e continua a ler como piano de cauda.
  • A marca no tampo da frente. Nem todas as produções podem mostrar marcas. O logótipo da Yamaha pode ser tapado ou removido — mas isso combina-se antes, com quem aluga o instrumento, e não se resolve com fita-cola no dia da rodagem.

E um detalhe de continuidade: um vertical dos anos 70 num décor dos anos 70 tem de ter a idade certa por fora. A linha U mudou pouco, o que é uma boa notícia; mas os pormenores dos pedais, das dobradiças e do desenho do móvel denunciam a década a quem sabe.

Peso, escadas e afinação

Um piano não é um adereço que se leve ao ombro. Estes são os pesos dos modelos atuais, como a Yamaha os publica:

ModeloPeso
U1, vertical de 121 cm228 kg
U3, vertical de 131 cm235 kg
GB1K, cauda de 151 cm261 kg
C1X, 161 cm290 kg
C2X, 173 cm305 kg
C3X, 186 cm320 kg
C5X, 200 cm350 kg
C6X, 212 cm405 kg
C7X, 227 cm415 kg
CFX, 275 cmcerca de 490 kg

Repare numa coisa que apanha muita gente de surpresa: a cauda mais pequena da gama pesa mais do que o maior dos verticais. O GB1K de 151 cm são 261 kg, contra 235 kg de um U3. "Cauda pequena" não quer dizer fácil de mover — quer dizer três pernas para desmontar, um estrado próprio e mais gente a pegar.

Isto quer dizer transportadores de pianos a sério, carro apropriado, proteção de portas e chão, e uma conversa sobre escadas antes de aceitar a data. Uma cauda sobe escadas — desmontada, com equipa e tempo. Um elevador de serviço muda tudo.

Depois há a afinação. Um piano transportado desafina, sempre. O calor dos projetores e o ar condicionado de um estúdio fazem o resto. O procedimento sensato é entregar na véspera, deixar assentar, e afinar no local no dia, com o técnico disponível para retocar entre planos se houver som direto.

Silent, TransAcoustic e Disklavier: três sistemas que resolvem problemas de rodagem

A Yamaha vende três tecnologias sobre pianos acústicos normais. As três resolvem problemas concretos num set, e vale a pena saber distingui-las.

  • Silent (nos verticais, modelos SC e SH) — uma barra impede os martelos de tocar nas cordas e o som passa a sair por auscultadores. O piano continua a ser um piano acústico, com a mecânica e o teclado reais, mas não faz barulho na sala. Serve para o ator ensaiar num hotel, e serve para ter um piano a ser tocado em cena enquanto o som está a gravar diálogo.
  • TransAcoustic (modelos TA e TC) — em vez de auscultadores, usa o próprio tampo harmónico do piano como coluna. Os sons digitais saem de dentro do instrumento, sem colunas nem PA em campo. Num plano em que não pode haver equipamento à vista, é a diferença entre poder e não poder gravar.
  • Disklavier — piano acústico com reprodução. Grava-se a interpretação com um pianista a sério e o piano toca-a sozinho, com as teclas e os pedais a mexer. O ator só tem de acompanhar o movimento das mãos. Poupa dias a produções onde o protagonista não toca piano, e a imagem é verdadeira: são as teclas reais a descer.

Resumindo a diferença: o Silent tira som da sala, o TransAcoustic põe som na sala sem colunas, e o Disklavier toca sozinho.

Que piano para que cena

  • Sala de estar, anos 70 ou 80 — vertical U1, U3 ou UX-3 em nogueira acetinada. É o piano que essa casa teria mesmo.
  • Estúdio de gravação — C7, ou C3 se o espaço não der. É o cliché porque é verdade.
  • Bar ou clube de jazz — cauda de 173 a 186 cm, ou um vertical encostado à parede se a sala for pequena.
  • Sala de concerto — CFX ou C7, tampo aberto, palco preparado.
  • Escola ou conservatório — vertical da linha P ou b, acabamento sóbrio, sem brilho. É o que essas salas têm de verdade.
  • Videoclipe ou publicidade — preto polido, tampo aberto, e um plano de iluminação que conte com o reflexo.
  • Cena com diálogo por cima do piano — Silent, ou um piano que não toca de todo.

O que nos dizer quando pedir um piano

Um pedido com esta informação é respondido com um valor firme em vez de uma pergunta:

  • Datas de entrega, de rodagem e de recolha.
  • Morada, andar e acesso: escadas, elevador de serviço, largura das portas, se há lugar para o carro.
  • Se tem de tocar ou se é só imagem. Muda o preço e muda a peça.
  • Se aparece em câmara e com que luz — para escolher o acabamento.
  • Se pode mostrar a marca.
  • Se há som direto a gravar durante os planos.
  • A época da cena, para o instrumento não ser vinte anos mais novo do que a sala.

Com isso, conseguimos dizer no mesmo dia o que temos, o que custa e o valor de substituição para o seguro da produção.

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